Bom pessoal, de fato, esfriou! Contudo, isso não pode ser utilizado como desculpa para não realizar o exercício de cada dia. E é exatamente sobre este clima bem vindo para alguns e que faz outros correrem em direção à linha do Equador que vamos falar nesse texto hoje.
O exercício físico realizado no frio, especialmente para indivíduos não aclimatados (adaptados) a este ambiente necessita de alguns cuidados. Seguindo as dicas descritas neste texto você poderá manter a atividade física e a barriguinha (já que no inverno nossa ingestão alimentar aumenta).
Nosso organismo luta constantemente para a manutenção da normalidade em todos os sentidos. No frio não é diferente, posso cérebro recebe constantes informações quanto a temperatura interna e busca a manutenção de 37 graus Celsius, aceitando pequenas variações durante o dia. Quando essa temperatura interna cai alguns mecanismos de produção e conservação de calor são ativados. O tremor é um desses mecanismos e, acredite, ele é capaz de aumentar em 4 a 5 vezes a taxa de produção de calor do corpo em repouso, acarretando em um gasto calórico diário elevado, mas atenção: isso não quer dizer que você irá EMAGRECER passando frio! Deus fez nosso organismo (é até um pleonasmo, mas) muito inteligente, ou seja, se preciso de mais energia meu cérebro receberá informações que irão culminar em fome, cuidado!
Com a diminuição da temperatura ambiente a temperatura dos músculos também pode diminuir e por conseqüência os torná-los mais fracos. Sempre que precisamos realizar um esforço o sistema nervoso controla perfeitamente quais e quantas fibras musculares irão se contrair com qual intensidade para “resolver o problema”. O que acontece no frio é que essa “perfeição” sofre influencia e pode ocasionar diminuição da potência de contração, portanto, temos que ter alguns cuidados ao treinar no frio. Se você quer manter a intensidade, velocidade e volume do seu treinamento, ou seja, se quer continuar malhando em condições exatamente iguais, deve realizar um aquecimento perfeito de estruturas articulares e musculares devidamente orientados por seu profissional de Educação Física antes de iniciar. Contudo, o conselho que aqui fica é realmente uma redução da intensidade ou volume de treinamento ao menos até que ocorre a aclimatação (adaptação) perfeita de seu organismo ao frio, submetendo-se a sobrecargas conforme essa condição assim permitir. Isso pelo fato de seu organismo estar mais “preocupado” com sua baixa temperatura interna do que com o fornecimento de energia para realização do exercício.
Outra dica é o cuidado com a vestimenta. Se estiver com poucas roupas o calor gerado pelo exercício será (dependendo da intensidade) apenas o suficiente para a manutenção da temperatura corporal padrão, porem, com o passar do tempo de exercício as baixas quantidades de energia irão causar fadiga de maneira antecipada. Se estiver utilizando muitas roupas a falta de troca de calor com o ambiente diminui, causando a transpiração. Como no inverno existe uma tendência em direção à menor ingestão hídrica, uma grande perda de líquidos durante o esforço poderá causar desidratação. Portanto, é subjetiva a utilização de roupas nesse clima, pois depende da aclimatação de cada indivíduo, do vento, da temperatura local e do tempo de exposição ao frio.
Para quem se exercitou durante o verão, boas notícias! Segundo o professor Russel Horvarth, da Universidade da Carolina do Sul, ...”a tolerância a baixas temperaturas pode aumentar com o condicionamento físico, ou seja, aumenta a capacidade de realizar trabalho e gerar calor...”. Além disso, o músculo inativo com vasoconstrição (devido ao frio) pode fornecer até 85% do isolamento do corpo durante a exposição ao frio extremo e isso representa uma resistência a perda de calor, que é duas a três vezes maior do que a da gordura e da pele suprajacentes.
Exercício no frio pode ser realizado com segurança desde que se tomem os cuidados com a vestimenta, aclimatação, aquecimento adequado e direção do vento (que aumenta potencialmente a perda de calor). Por último, evite o resfriamento rápido após o exercício!!! Com o final do exercício sua taxa de produção de calor diminui, porém, o frio continua, fazendo com que sua perda seja maior que sua produção de calor podendo, em casos extremos, conduzir a um estado conhecido como hipotermia (queda acentuada da temperatura corporal). Portanto, ao terminar o exercício, agasalhe-se bem e proteja-se do frio o mais rápido possível.
Isto posto, lhes desejo um excelente inverno recheado muita caminhada, corrida, ciclismo, natação, musculação, ginástica ... e a todos uma vida saudável sempre!!!
Wladimir Rafael Beck
CREF 2648-G/MS
Especialista (Lato Sensu) em Fisiologia do Exercício pela UGF/RJ.
Blog destinado àqueles que gostam de praticar exercício